Os desafios da mobilidade global

Ter uma Política de Mobilidade Global consistente e aderente a cultura da empresa é um passo importante para ter processos de transferência internacional bem-sucedidos. Contudo, adequar os mais variados perfis de expatriados e as necessidades familiares pode ser um desafio e tanto.

Para discorrer sobre esse e outros dilemas da mobilidade internacional a Simple City convidou Silvia Jacoby.

Silvia trabalhou no Grupo Bosch por 25 anos, sendo que nos últimos 20 anos ela se dedicou a Gestão de Mobilidade Internacional, tendo sido pessoalmente expatriada por 3 anos para a Alemanha. Na Matriz da Bosch na Alemanha ela conduziu um projeto de mobility de 150 trainees alemães para mais de 30 países no mundo.

 

De volta ao Brasil, como Gerente de Transferências Internacionais da Bosch, foi responsável por um volume de mais de 200 expatriados simultaneamente.

Desde 2014 Silvia tem prestado serviços a empresas como Consultora Autônoma, na elaboração, aperfeiçoamento e/ou “tropicalização” de políticas de Global Mobility.

Atualmente ela também é Conselheira do GADEX (grupo informal de gestão de expatriados), onde também já foi Presidente por 1 ano.

 

Simple City: Silvia, você trabalha há muitos anos com Mobilidade Global e construção de políticas. O que mudou em temos de práticas de mobilidade nesse tempo?

Silvia Jacoby: Primeiramente, agradeço a oportunidade de compartilhar com o seu público um pouco de minhas reflexões!

Respondendo à sua pergunta, percebo que ao longo do tempo há idas e vindas, tendências e novas experiências. Cito como exemplo, a descentralização e terceirização da área de Mobility para consultorias externas e, em alguns casos após certo tempo, a re-internalização desta atividade para a empresa.

Há também um constante esforço das empresas na redução de custos dos pacotes de benefícios sem, contudo, abrirem mão da atratividade, da segurança e dos aspectos de compliance que uma transferência internacional requer. No passado o colaborador “fazia um favor” à empresa aceitando uma missão no exterior e, por isto, era muito bem recompensado financeiramente. Já há muito tempo uma expatriação passou a ser fortemente “desejada” pelos profissionais, que assim valorizam seus currículos e crescem do ponto de vista pessoal. Em paralelo, muitas empresas determinam que uma promoção para posições-chave somente se dá mediante uma robusta experiência no exterior por parte do colaborador. Esta evolução justifica a oferta de pacotes mais enxutos.

Outra tendência bem atual é de algumas empresas não mais oferecerem os benefícios isoladamente, mas de efetuarem alguns pagamentos de “lump sum” para que o colaborador contrate ele mesmo os serviços ou bens, conforme suas necessidades pessoais. Esta medida reduz o trabalho operacional da empresa e agrada aos colaboradores. Porém, tem o risco de que parte das verbas não seja usada para aquilo que realmente é necessário.

 

Simple City: A transferência internacional virou uma necessidade para as empresas que têm um alcance global. Você acha que hoje existe uma maior preocupação com o processo da transferência?

Silvia Jacoby: Com certeza! Até em função da crise econômica, as empresas brasileiras buscam cada vez mais expandir seus negócios para o exterior, o que exige a movimentação de talentos para os países em questão. Por outro lado, as corporações estrangeiras sempre continuarão “importando” colaboradores, não apenas para posições de comando, mas também para que desenvolvam aqui suas competências. Ambos os processos demandam uma organização sólida do processo de transferência, para que os colaboradores envolvidos e suas famílias tenham segurança e confiança na empresa, sem desperdiçar tempo e esforços com questões do dia a dia.

 

Simple City: O perfil do expatriado mudou. Altos executivos dividem o cenário com gerentes, trainees que possuem necessidades diferentes. Como criar uma política que atenda a todos?

Silvia Jacoby:  Penso que o ideal é ter políticas diferentes para públicos diferentes ou, na mesma política, prever cenários diferentes conforme o público. Também é possível, por exemplo, desenvolver-se uma única política com diferentes “anexos”, que estipulam condições diferentes conforme o público. Mas considero que o ideal é restringir ao máximo estas diferenças.

 

Simple City: Ainda é comum encontrar empresas com Políticas Globais de mobilidade internacional mas que não são “tropicalizadas”, ou seja, adaptadas as necessidades daquele país ou região. Como você avalia essa situação?

Silvia Jacoby: Acho fundamental que a Política contenha uma parte “tropicalizada”. Cada localidade é tão diferente da outra que, se estas singularidades não forem previstas, muitas questões ficarão em aberto. Por exemplo, uma Política Global pode prever que o colaborador e seus familiares terão direito a curso de idioma ainda no país de origem e após a chegada ao destino. A Política Local pode determinar quantas horas de curso o expatriado e dependentes poderão ter (em função da dificuldade do idioma que precisarão aprender), em que escolas terão aulas (conveniadas ou não com a empresa), se estas poderão ou não ser tomadas no escritório ou na residência, quem assume quais custos, levando também em consideração a Política de Cursos de Idiomas existente para os empregados locais.

 

Simple City: O custo da transferência internacional ainda é muito alto, o que pode inviabilizar a concessão de benefícios aos expatriados. Como uma empresa pode se ajustar a essa realidade?

Silvia Jacoby: A empresa pode reduzir custos evitando, na medida do possível, a duplicidade de tributação e de seguro social entre os países que mantêm acordos específicos para estas finalidades. Além disso, é interessante sempre rever suas políticas, compará-las com o que o mercado pratica, efetuar eventuais ajustes, diminuir eventuais “gorduras”, sem prejuízo à atratividade da expatriação, segurança e compliance, conforme comentei anteriormente.

Há um Projeto de Lei a ser votado pela Câmara, já aprovado pelo Senado que, se aprovado, poderá reduzir as despesas com encargos sociais por parte das empresas, o que será uma ótima notícia.

 

Simple City: O que não pode faltar em uma boa política de mobilidade internacional?

Silvia Jacoby:  Creio ser indispensável um cuidado especial com os familiares dos expatriados que, se não se sentirem confortáveis na nova localidade, poderão fazer com que “lares sejam desfeitos” e o assignment seja mal sucedido ou interrompido. Portanto, entendo que a Política deve prever alguns benefícios como curso de idioma também para os familiares, boa escola para os filhos, viagens intermediárias ao país de origem, bom seguro médico para a família, auxílio para o cônjuge dar continuidade a suas atividades desenvolvidas antes da transferência, etc.

 

Simple City: Na sua opinião, qual o maior erro que uma empresa comete ao desenhar uma politica?

Silvia Jacoby: Penso ser “subestimar” uma transferência internacional, ainda que seja a um país sul-americano, com idioma e cultura similar ao nosso. Quando falo em “subestimar” quero dizer prever pouco apoio, poucos benefícios, não se debruçar nos detalhes que precisam ser previstos. E quando falo em detalhes, logo emendo com outro possível erro: há empresas que definem sua política em “power-point”, ou seja, em tópicos resumidos, ao invés de redigirem textos precisos, detalhados e completos. Este estilo pode levar a incontáveis mal-entendidos e interpretações diversas, que deveria ser evitado.

 

Simple City: Muitas pesquisas apontam a necessidade de mais flexibilidade nas políticas para atender a circunstancias pessoais de expatriados. É possível atender essa questão sem perder o controle do processo?

Silvia Jacoby:  Como já comentei anteriormente, existe esta nova tendência de, ao invés de se conceder benefícios específicos, a empresa oferece uma verba para o colaborador fazer suas escolhas conforme sua necessidade e gosto pessoal. Com certeza, é uma medida que garante maior flexibilidade, mas tem também o risco de em algum momento faltarem recursos para outras demandas importantes. Outro desafio é determinar os valores a serem pagos, de modo que sejam adequados aos gastos que os expatriados terão. Neste modelo, de qualquer forma, é imprescindível que alguns benefícios sejam obrigatórios e determinados pela empresa (p.ex. seguro de saúde). Este tipo de política que combina itens obrigatórios com “lump sums” tem sido chamado por algumas empresas de “Política Core & Flex”.

 

Simple City: De uma forma geral, como você analisa o suporte oferecido aos expatriados no Brasil, comparado a outros países?

Silvia Jacoby:  O suporte que as empresas oferecem no Brasil aos estrangeiros é excelente! Não é apenas minha opinião, mas de muitos estrangeiros que já moraram em outros países. Isto se dá não apenas por que o brasileiro é muito receptivo e acolhedor, mas por motivos menos glamourosos. Alguns exemplos: o idioma português é extremamente difícil e, em especial no dia a dia fora da empresa, a maior parte da população não se comunica em outro idioma. O brasileiro culturalmente nem sempre é facilmente compreendido (“diz uma coisa, mas pensa outra”). Os aspectos relacionados a serviços públicos (por exemplo, transporte coletivo) e segurança deixam a desejar. Estes e outros fatores exigem da empresa, muitas vezes com a ajuda de Relocation Service, um esforço maior para que o expatriado e sua família tenham uma boa adaptação em nosso país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A adaptação do cônjuge como um fator de sucesso para a transferência internacional

O processo de transferência internacional tem uma importância cada vez maior no mundo contemporâneo. Grandes corporações, universidades, ONGs, e entidades religiosas, utilizam esse recurso como forma de trocar conhecimentos, agregar valor a um projeto, ou até mesmo fornecer ao funcionário uma experiência essencial à sua carreira.

Contudo, o que esse processo tem de excitante, também tem de desafiador. Existe uma diferença grande entre o sonho de morar em um novo país e a realidade de efetivamente fazê-lo. A rotina, a burocracia e os desafios diários impõem uma realidade que nada tem a ver com a do sonho, e esse desafio é ainda maior quando o profissional possui família. Estudos comprovam que a adaptação da família ao novo local é um dos pontos mais críticos. De acordo com a pesquisa da Global Line em parceria com a Worldwide ERC, Mobility 2017, a maioria dos expatriados estrangeiros no Brasil traz seu cônjuge (71%) e seus filhos (49%). E as principais razões para o insucesso da transferência internacional é justamente a família.

 

O fato é que, em uma transferência internacional, o cônjuge tem um papel mais difícil do que qualquer outro membro da família. De uma certa forma, o profissional ainda tem a empresa onde trabalha, bem como o próprio trabalho como uma referência de continuidade. Os filhos, apesar de sofrerem com a perda de laços familiares e amigos, também mantêm uma rotina escolar e outras atividades esportivas que os ajudam de certa forma na adaptação. Contudo, o cônjuge, além de deixar importantes partes da vida familiar para trás, como família, amigos, suas atividades, ainda precisa lidar com uma realidade totalmente nova e fazê-la funcionar para a família. Existe um esforço mental que não é mensurado.  Não é muito raro que, no meio desse processo, o cônjuge perca a sua identidade, e até mesmo entre em depressão. Por isso, os desafios que o cônjuge enfrenta na adaptação ao novo local são diferentes, e até mesmo maiores do que aqueles que se apresentam ao resto da família.

Na Simple City, entendemos a importância de um suporte efetivo e adequado, não só para o grupo familiar, mas voltado para o cônjuge. É uma equação que precisa ser balanceada com muito cuidado: para cada grupo, uma atenção individualizada. Quando a família está bem, todo o processo funciona perfeitamente. Mas quando algo está errado, os problemas surgem aos montes. O cônjuge tem um papel fundamental no sucesso da transferência internacional, não só na ajuda e coordenação de todo o processo, mas em garantir o suporte emocional adequado para toda a família durante essa mudança.

E não existe essa história de que famílias com mais experiência em transferências internacionais sejam mais acostumadas e que, por isso, precisem de menos auxílio. Cada transferência é diferente e afeta a família de uma forma distinta. Durante o processo de decisão até o momento da transferência em si, a família passa por situações de ansiedade, stress, ao mesmo tempo em que tentam manter o equilíbrio mental. O stress pode ser maior se o cônjuge ficar desempregado no novo destino. A falta de pertencimento ou utilidade profissional aliada à falta de uma receita financeira própria pode dificultar e muito esse processo. Outro grande ponto de stress é a falta do suporte familiar ou da rede de amigos para quem tem filhos ainda pequenos. Ter que lidar com as incertezas da saúde infantil (como viroses e afins) em um novo país não é nada agradável.

Por isso, um suporte adequado e indivualizado é extremamente importante. A mesma pesquisa da Mobility 2017 mostra que ainda existe um “gap” de apoio na transição profissional do cônjuge e na adaptação cultural da família. Apesar da maioria das empresas oferecerem curso de treinamento intercultural, pontual, poucos levam em conta os desafios que a família ainda pode ter durante os primeiros meses no novo local.

Em parte, esses problemas podem ser resolvidos com um bom serviço de relocation, que é muito mais do que encontrar um imóvel em uma boa área. O profissional de relocation precisa entender a dinâmica familiar, seus desafios e ajudar a família a se ajustar ao novo país. O Rio de Janeiro, por exemplo, pode ser uma das cidades mais lindas do mundo, mas possui um metro quadrado caro que não reflete a qualidade dos imóveis. Lidar com problemas diários como, manutenção residencial, internet, banco pode ser frustrante considerando a falta de preparo e a indisponibilidade de profissionais que falem pelo menos o inglês.

Tudo isso impacta no alto custo de vida, em termos financeiros, mas também do esforço adicional que se põem para que as coisas funcionem com uma certa normalidade. O processo de relocation precisa ser exclusivo, desenhado para atender às necessidades daquela família. Pensando nisso, na Simple City a família tem contato com apenas um consultor durante todo o processo de busca de imóveis e instalação na nova residência. O papel do consultor é conhecer a fundo as necessidades e trabalhar junto com a família para que o imóvel ideal seja escolhido de uma forma mais rápida, sem o desgaste de visitas desnecessárias. Para isso, os encontros com o cônjuge e profissional transferido são constantes para discutir o perfil dos imóveis disponíveis no mercado, um recurso valioso que também ajuda a acelerar a adaptação da família ao local e evita aquela sensação de “perda de tempo” tão comum nos processos de housing hunting.

Na Simple City, a família mantém o canal de comunicação em aberto com o consultor desde o processo de busca de residência até a completa instalação no novo lar. Isso ajuda o cônjuge a se sentir apoiado em um momento critico em que muitas decisões precisam ser tomadas relativas a serviços e processos desconhecidos. Além de fornecer um alento à família, é um suporte adicional ao RH, que consegue focar nas suas atividades primárias e no funcionário transferido, que, por sua vez, consegue se inserir na rotina do trabalho mais rápido.

Além do suporte adequado na busca de residência, de acordo com Yonne McNuty, uma pesquisadora premiada dedicada a estudar o impacto do cônjuge na vida de uma família em transferência internacional, 85% dos expatriados relatam a necessidade de um suporte continuado, por pelo menos 3 meses após a transferência, para lidar com os desafios diários em um período que é justamente o mais conturbado da expatriação, quando a rotina do dia a dia, as dificuldades acabam com o período de “lua de mel” e podem interferir de maneira negativa naquele ambiente familiar.   Geralmente no Brasil esse suporte é feito de forma esporádica e por demanda. O que pode gerar um alto custo para a empresa ou sobrecarregar setores internos que precisam lidar com essa demanda adicional.  Idealizar e montar um programa de apoio exclusivo para esse período é fundamental para que as coisas fluam com facilidade, sem sobrecargas para as partes envolvidas. O serviço de relocation precisa ser flexível o suficiente para atender a essas demandas dentro das expectativas exigidas com previsibilidade de qualidade e custo.

Por isso a Simple City desenvolveu um serviço de assinatura mensal disponível para todas as famílias de expatriados.  Esse serviço engloba as necessidades e desafios diários da família de expatriados e dos RHs (aconselhamento, indicação de serviços, manutenção, suporte diverso, gerenciamento de problemas e contrato de aluguel, coordenação de pagamento de contas, dentre outros). A ideia é que a família seja acolhida em todos os seus desafios, e que o processo de adaptação seja o mais rápido.

Recomendações para um serviço de relocation mais efetivo:

Sendo assim, incluir o cônjuge nos preparativos de uma transferência e ter um olhar mais cuidadoso às suas necessidades durante o período, é uma alternativa para um bom processo de transferência internacional.

A Simple City foi desenvolvida para prestar um atendimento individualizado e exclusivo, fornecendo uma previsibilidade segura de custo, e usando tecnologia para disponibilizar à empresa todas as informações necessárias para a gestão do processo de transferência em tempo real.

 

Referências Bibliográficas:

McNulty, Y. (2012): “Being dumped in to a sink or swim”: An empirical study of organizational support for the trailing spouse. Human Resource Development International 15 (4), 417-434

McNulty, Y. & Pember, S. (2014): Delivering Effective Relocation Family Support

Simonellu, B. (2012): Adaptação de Cônjuges e de Expatriados e sua relação com o Desempenho em Designações Internacionais. XXXVI Encontro da ANPAD

WorldWide ERC & Global Line: Mobility 2017

O que você precisa saber para alugar um imóvel no Brasil?

Alugar imóvel não é igual em qualquer lugar do mundo. Inúmeros aplicativos facilitam o acesso aos imóveis e de certa forma conseguiram uniformizar algumas regras, assumindo alguns riscos, mas nem tudo é tão simples.

Existem duas formas de alugar imóveis no Brasil, a curto prazo (aluguel de temporada) ou de longo prazo (30 meses). Nesse artigo, trabalharemos apenas com as particularidades do aluguel de longo prazo.

Existem várias regras comumente praticadas pelo mercado e uma Lei (Lei do Inquilinato 8.245/91) que rege a regulamentação desse tipo de locação. Por isso é muito importante conhecer-las e ficar atento aos termos do contrato que podem ser negociados a seu favor.  Vamos discutir os principais pontos sobre essa modalidade de aluguel.

 

Posse do Imóvel

Tão logo o imóvel for escolhido é importante que você exija que a comprovação de propriedade através de documentação. Parece estranho, não? Mas infelizmente algumas pessoas podem alugar imóveis de terceiros sem a devida autorização e se você não tomar as devidas precauções, posteriormente a Justiça pode exigir que você pague novamente a quantia equivalente ao dono de fato. Então, para evitar surpresas desagradáveis, solicite uma cópia atualizada do RGI – Registro Geral de Imóveis. Se o nome do Proprietário estiver ali, pode confiar e seguir adiante. Ainda assim, em alguns casos o imóvel pode não estar em nome do dono de fato, no caso de herdeiros. Isso acontece devido ao alto custo da taxa de transferência de posse. Nesse caso, você pode precisar da ajuda de um especialista para analisar a situação e buscar uma alternativa. 

 

Fiador

 É quase certo que o proprietário irá exigir a garantia de um fiador (pessoa residente no Brasil com renda comprovada), para o caso de você não pagar o aluguel. Isso é uma prática recorrente, visto que por Lei o fiador assume automaticamente essa dívida, em caso de não pagamento, conferindo a segurança de recebimento da receita ao Proprietário.

Contudo, para os estrangeiros pode ser difícil cumprir com esse requisito. Algumas alternativas que podem ser aceitas por alguns proprietários, são:

  • Carta da Empresa – Informando que o inquilino é funcionário da empresa e que a mesma se responsabiliza por pagamentos em atraso.
  • Seguro Fiança – Nesse caso o inquilino contrata com uma Seguradora um seguro fiança que cobre em média 3 vezes o valor do aluguel.

Outra alternativa a é locação do imóvel através de aplicativos como o Quinto Andar. Eles não exigem a figura do fiador.  Contudo o inquilino tem que pagar uma taxa de administração. Mas o lado negativo do Quinto Andar é que eles ainda não oferecem atendimento em inglês e isso pode ser um desafio para um estrangeiro, seja para entrar em contato, seja para entender as regras e o contrato.

 

Contas em dia

Solicite comprovante de que todas as contas estão em dia. São elas:

  • Condomínio (despesas relativas ao uso de áreas em comum em prédios e grupo de casas)
  • IPTU (Imposto Territorial Urbano)
  • Taxa de incêndio (paga anualmente ao Corpo de Bombeiros)
  • Luz, Gás, água

Isso evitará surpresas como corte de serviços ou até mesmo ações de despejo promovidas pelo não pagamento de uma dessas contas. É importante garantir que você não assumirá as consequências da inadimplência de um terceiro.

Tão logo a locação do imóvel tenha início, o inquilino será o responsável pelo pagamento dessas contas, na frequência a seguir:

Aluguel – pagamento mensal

Condomínio- pagamento mensal

IPTU – pagamento em conta única ou em 10 parcelas

Taxa de incêndio – pagamento anual

Luz, Gás, Água, Internet, TV, telefone – pagamento mensal

Seguro de Incêndio – Anual. Por lei a obrigação é do proprietário, mas ele pode repassar esse custo ao inquilino.

Cada uma dessas contas vem separadamente, o que pode parecer uma loucura para quem estava acostumado a pagar tudo em praticamente uma conta só. Por isso uma boa dose de organização é fundamental.

 

Prazo do Contrato

O prazo do contrato de locação de longo prazo é de 30 meses. Caso o inquilino encerre o contrato antes do prazo previsto, pode ser penalizado com o pagamento de multa.

Para evitar essa situação você pode:

– Negociar com o Proprietário um tempo inferior de contrato, caso tenha a certeza de que ficará no imóvel por menos tempo.

– Negociar a ausência de multas em caso de término antecipado, desde que você notifique com antecedência mínima de 60 dias, por exemplo.

Existe apenas um caso onde o inquilino está isento do pagamento de multa por término antecipado: em caso de transferência de cidade por motivos de trabalho. Nesse caso, basta apresentar uma notificação ao proprietário com 30 dias de antecedência, pelo menos, e cumprir com as obrigações de devolução do imóvel que abordaremos a seguir.

 

Manutenção residencial

Pela Lei do inquilinato a responsabilidade de manutenção do imóvel é do inquilino. Isso pode soar estranho caso você venha dos Estados Unidos, por exemplo, onde o proprietário é o responsável por quase todo tipo de reparo. Por isso é muito importante que o inquilino mantenha a manutenção em dia (portas, janelas, aparelhos de ar condicionado, piscina, etc). Caso contrário, quando da devolução do imóvel ele será obrigado a arcar com todas essas despesas de uma só vez, o que pode sair bem caro.

E aí vai uma dica: Considerando a responsabilidade do inquilino pela manutenção do imóvel é importante evitar a escolha de propriedades de difícil manutenção.  Por exemplo, uma parede de mármore branco em uma cobertura pode ser bem bonito. Mas se você considerar que o mármore escurece e que para manter aquela cor é necessário o polimento e aplicação de produtos especiais de tempos em tempos, talvez você reconsidere essa opção.

Outra dica importante é certificar-se de que o imóvel em si não tem nenhum problema de manutenção oculto.Já falamos um pouco sobre isso no artigo “Reduzindo o custo de manutenção residencial de expatriados”. Vale a pena dar uma lida no artigo e conferir as ações propostas.

 

Demais responsabilidades do Inquilino

Além do pagamento das contas em dia, manutenção do imóvel, o inquilino precisa se ater a outras obrigações previstas em Lei:

– Usar a propriedade de acordo com o combinado

– Devolver a propriedade no mesmo estado em que recebido, exceto desgaste natural.

– Pagar todas as contas devidas até o dia da devolução do imóvel

– Informar imediatamente ao proprietário sobre qualquer problema no imóvel

– Não modificar a parte interna ou externa da propriedade sem autorização por escrito do proprietário

– Respeitar as regras do Condomínio

 

Mas se o inquilino é responsável pela manutenção, qual é a responsabilidade do proprietário?

Aos olhos da Lei, o proprietário é responsável por:

  • Entregar o imóvel em condições plena de uso e em bom estado de conservação.
  • Realizar as manutenções estruturais do imóvelcomo problemas elétricos e hidráulicos, desde que os mesmos não tenham sido causados pelo inquilino ou seus visitantes.
  • Resolver problemas/defeitos do imóvel anteriores ao contrato de locação.

Contudo nesse último item temos uma situação nebulosa. Sem uma inspeção eficiente antes da entrada do imóvel dificilmente o inquilino poderá comprovar que alguns problemas de manutenção são decorrentes do contrato de locação anterior. Por isso, para evitar problemas, o ideal é contratar um profissional de segurança que possa atestar o estado do imóvel. Especialmente se o mesmo for antigo.

Adicionalmente, algumas cobranças de taxas extras de condomínio, por exemplo, pode ser de responsabilidade do proprietário. Mas nesse caso não dá para generalizar, tem que analisar o tipo de cobrança feita.

São muitas particularidades que tornam o processo um pouco complexo para quem entra em contato com esse universo pela primeira vez. Contudo, empresas de relocation, como a Simple City, oferecem  suporte para esse tipo de serviço, tornando o tudo muito mais fácil.