Como ajudar um expatriado em um destino difícil?

Quais são os piores destinos para um expatriado? Os destinos cuja adaptação é mais desafiadora? Quando fazemos essa pergunta, é comum que se pensemos em destinos insólitos, onde a mobilidade é reduzida e onde não há muitas opções de lazer ou escola para os filhos, por exemplo.

Mas existe uma série de destinos que possuem barreiras financeiras e culturais que não são percebidas de imediato devido a sua história, ao desenvolvimento da sua economia. Destinos onde belezas naturais e popularidade ofuscam questões que impactam e muito na rotina, bem diferente do que ocorreria com um mero turista.

Engana-se quem pensa que esses desafios são exclusivos de países em desenvolvimento ou com menor estrutura. Tomemos o caso da Suíça, por exemplo. Um país desenvolvido, com alto índice de desenvolvimento humano, belas paisagens, história, sistema de transporte e economia que funcionam perfeitamente e uma política de segurança pública que permite que você se desloque livremente pela cidade sem ter que se preocupar com segurança.

Contudo, o alto custo de vida pode limitar as opções de lazer da família e o entrosamento com a comunidade local pode ser demorado se não houver uma pessoa que sirva como ponte/conexão. Como resultado, podemos ter um expatriado que se sente excluído de uma sociedade, gerando inclusive um sentimento de solidão e não pertencimento.

O Rio de Janeiro é um outro destino que pode ser enquadrado como de difícil adaptação. Cidade mundialmente conhecida, belas paisagens naturais, mas que também possui um alto custo de vida, um mercado imobiliário com um dos metros quadrados mais caros do mundo (e que não necessariamente implica em qualidade), segurança pública complicada e uma burocracia sem fim.

Por isso profissionais de global mobility constantemente se perguntam que ferramentas adicionais eles podem utilizar para ajudar os expatriados a se adaptarem em um destino difícil?

Sem dúvida, o treinamento intercultural é uma das principais ferramentas para ajudar nesse processo. Mas existem algumas dicas aplicadas por algumas empresas que podem fazer uma diferença nesse processo.

# Dica 1

O primeiro passo é garantir que o pre-assigment seja rico em informações sobre o novo destino. O candidato precisa ter todas as informações à mão e as expectativas precisam ser devidamente ajustadas. Isso reduz o nível de ansiedade do candidato.
A participação do cônjuge nesse processo é fundamental. É preciso entender qual impacto a mudança de destino trará na rotina da família e juntamente com a empresa de relocation pensar em alternativas para contornar os possíveis desafios.

Geralmente nessa fase as empresas fornecem uma viagem inicial ao local, fazem uma avaliação das necessidades da família e oferecem uma analise do custo de vida que ajudam no processo decisório.

Uma grande sacada é utilizar o pre-visit para ajustar ainda mais as expectativas da família, criando um roteiro customizado para suas necessidades. Vivenciar em loco como seria uma vida naquele local, permitir que a família explore a área e sinta como é viver ali é a melhor forma de entender as diferenças impactarão na rotina. Fazer recomendações de passeios, restaurantes para o tempo livre é outra forma de ajuda-los a sentir o novo local.

Mapeado os desafios daquela família, é recomendado criar um mapa sobre como os mesmos podem ser enfrentados de uma forma construtiva:
– Cultura: Quais aspectos podem afetar a família
– Como enfrentar esses desafios?
– Que recursos e atividades tenho a disposição no local para facilitar o processo de adaptação?

Quais são as expectativas da família ao se mudar?
– Emprego do cônjuge
– Realidade do mercado
– Reconhecimento de diploma
– Outras opções de carreira
– Necessidades especiais.

É vital ter uma resposta honesta para esse e quaisquer outros questionamentos, mesmo que não seja a resposta ideal ou desejada. Isso ajuda a família a saber o que esperar e como pode trabalhar para superar esse obstáculo pro-ativamente em vez de agir reativamente.

Uma outra boa prática é ajudar o cônjuge a buscar uma atividade remunerada ou um projeto ao qual ele possa se dedicar. Isso confere um sentido de propósito e acelera o processo de pertencimento ao novo local.

# Dica 2

Criar um programa de mentoria para o funcionário expatriado é uma ação que tem um grande impacto a um custo muito baixo.

O expatriado enfrenta muitas mudanças de uma só vez, país, casa, trabalho, nova dinâmica familiar, novo chefe. Ter alguém do escritório que conheça a área e os desafios a serem enfrentados é encorajador e acelera o processo de adaptação.

Os benefícios são muitos:
– Facilita o processo de transição
– Aumenta o conhecimento sobre o funcionamento do escritório
– Auxilia na aplicação de suas habilidades e conhecimento no novo ambiente
– Divide e acelera o conhecimento da cultura local da empresa
– Encoraja a troca de conhecimento
– Funcionário enxerga resultados tangíveis em pouco tempo

O programa de mentoria também possibilita ao expatriado adequar as suas habilidades para aquele contexto cultural específico e até mesmo ajustá-las para que se consiga executar sua atividade no novo ambiente de forma apropriada aquela realidade.

Contudo, alguns pontos devem ser levados em consideração ao escolher um mentor:
– Procure uma pessoa que tenha experiências culturais semelhantes (estrutura familiar, mesma nacionalidade, etc).
– Ofereça uma reunião inicial para ver se haverá de fato afinidade entre as partes
– A relação tem que ser benéfica para ambos os lados
– Promova happy hours, almoço e se possível com a família

# Dica 3

Ajudar o expatriado e família a se integrar a comunidade.

Por mais que a expatriação tenha sido um projeto de carreira e de vida planejado pelo expatriado e família, com o tempo, as dificuldades de se integrarem a comunidade pode gerar um sentimento de não pertencimento.
É importante ter uma conexão com a cidade que o faça se sentir acolhido e parte daquela realidade
Esses funcionários estão longe dos familiares e amigos, em uma localidade difícil. A prioridade durante o relocation desses funcionários deveria ser:
– Onde morar
– Fazer amigos
– Encontrando recursos
– Se encaixar no escritório

Lugares remotos ou lugares onde o custo de vida é muito alto, localizar hobbies, atividades ou clubes não é algo fácil. Então, o que pode ser feito?

Organizar happy hours após o expediente, organizar atividades em grupo como campeonatos de futebol, aulas de yoga na aula do almoço, etc

Expandir essas atividades para a família é uma boa pratica. Assim como criar uma comunidade com cursos, eventos, coaching e eventos para as crianças.

# Dica 4

Já pensou em um serviço de coaching para o cônjuge do expatriado? Ajudá-lo a enfrentar os desafios e a se lembrar do que os motivou a dizer sim para a expatriação, ajuda a passar pelo processo de mudança com mais confiança.

Ajudar o parceiro a redirecionar sua carreira, criar um novo plano de carreira, um proposito para aquele período de vida. Ensinar técnicas de entrevista para aquele ambiente, auxiliar no processo de negociação para salários, auxiliar na elaboração de currículos. Caso o visto restrinja o trabalho, que alternativas ele pode ter?

Para dar certo é importante que o coach seja local, expert naquela cidade e que tenha conhecimento das dificuldades de uma expatriação.

Com certeza existem outras dicas que podem ser aplicadas nesse contexto. Que tal dividirmos por aqui?

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